Não é incrível como o tempo passa rápido, como tudo muda tão depressa. Parece que foi ontem, que eu botei fogo no sofá de casa aos quatro anos e hoje eu tenho o meu próprio sofá, na minha nova casa em outro estado.
Consigo me lembrar perfeitamente de quando ficava indignada com meus pais quando eles me negavam dinheiro, não conseguia aceitar que eles ficariam mais pobres se me dessem vinte reais e hoje, eu quase choro se gasto vinte reais em um único dia! Vinte reais é a parte que eu pago da conta de luz, é uma compra razoável no mercado, o xerox da semana, enfim, aprendi que com vinte reais você faz muita coisa, e que também, ele faz muita falta quando gastado indevidamente.
Há mais ou menos dois anos atrás, eu não gostava de estudar, era sempre chamada nas reuniões da escola por excesso de comunicação verbal e não verbal, meus pais viviam tentando enfiar na minha cabeça que eu tinha que me esforçar mais para conseguir me sustentar sozinha, ter um bom futuro, pra não depender de ninguém, mas no fundo eu sabia que era pra não depender deles! Até que no final do terceiro eu percebi que as coisas iriam mudar para sempre, que meus pais tinham razão e que se eu não tomasse uma atitude iria ficar pra trás, então, resolvi fazer cursinho e ai, eu posso dizer que me esforcei e mudei.
Antes de passar na UEL, não ligava muito pra ideia de morar longe, até então eu só pensava em passar e não fazer mais um ano de cursinho, mas agora, eu dou o maior valor por tudo o que minha família fazia por mim, cada roupa lavada e passada, almoço prontinho quando eu chegava em casa de carro e descobri o verdadeiro significado de uma boa distância e de uma saudade que eu rezo todos os dias pra que um dia eu consiga me acostumar, e olha, que não sou uma pessoa muito apegada, e nem chorava por tudo, é sério!
Entretanto, as coisas mudam, o tempo passa na velocidade da luz e eu prefiro chorar de saudade e pelas dificuldades do que ficar em casa frustrada assistindo minha vida passar ao invés de participar ativamente, mesmo que pra isso tenha que ficar longe da minha terra, da comodidade e das pessoas que eu mais amo.
Ana Cláudia Pismel
quinta-feira, 22 de agosto de 2013
Relatos de uma universitária
14:03
Relações Públicas

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